sexta-feira, 18 de agosto de 2017

OS PANGOLINS TÊM VIDA DIFÍCIL

A polícia encontrou ISTO numa casa em Chiapas, no México



Ultimamente, não param de sair notícias sobre incríveis descobertas em casas antigas, em escavações ou em alguns sítios arqueológicos. O que também é verdade é que muitas dessas descobertas estão longe de seres bacanas, são certamente muito desagradáveis, coisas que não gostaríamos jamais de encontrar. É isto que este artigo irá apresentar abaixo.
Quando uma casa fica abandonada por muito tempo, o governo, às vezes, é obrigado a enviar pessoas para verificar seu estado, para checar os danos e avaliar se, de fato, ela pode estar disponível para o estado. E quando falamos especificamente do México, em sua imensidão, encontra-se coisas que você jamais iria imaginar.
Bem recentemente, ou seja, no último dia 15 de agosto, no mês passado, a polícia mexicana deparou-se com algo realmente assustador e que causou indignação em todo o mundo. Isso ocorreu no estado de Chiapas, no México, onde a polícia teve de intervir por causa de uma denúncia feita pelos vizinhos de um indivíduo. A situação era, na verdade, um pouco estranha.
O grupo de oficiais enviado para realizar a investigação foi inspecionar uma casa específica, pois o suspeito tinha em sua propriedade nada menos do que cinco freezers, o que atraiu muita atenção, despertando a incerteza dos moradores vizinhos na região. A notícia se espalhou como fogo entre os transeuntes e quando a polícia verificou o material, todos ficaram passados...
Nos freezers dentro da casa, eles encontraram nada mais e nada menos do que 657 pangolins sem vida, envoltos em plástico, prontos para serem transportados. No entanto, a surpresa veio mais tarde, já que em outro cômodo da casa, os oficiais encontraram símbolos e inscrições bastante estranhos, feitos com sangue, além de centenas de animais mortos em posições que sugeriram a existência de algum tipo de ritual satânico.
Desde o ano 2000 foram, tomadas medidas para proibir o tráfico e a caça desta infeliz espécie, no entanto, implementar estas medidas não foi suficiente, uma vez que, apesar de sua coleta ser ilegal, há uma demanda consideravelmente alta por pangolins em todos o mundo.
Na China, sem precisar ir muito mais longe, sua carne é consumida como um verdadeiro manjar; dizem que seu sabor é inigualável e é considerado um prato de luxo; além disso, dizem que suas escamas têm propriedades curativas, sendo amplamente utilizadas em vários países da Ásia. Embora seu aspecto possa parecer perigoso, os pangolins são criaturas noturnas muito amáveis e é muito raro que ataquem os seres humanos, pois em situações de perigo, eles se enrolam como uma bola e usam suas escamas duras como uma armadura.
Apesar do perigo em que se encontram estes mamíferos, traficantes, como esse sujeito que os mantinha escondidos e sem vida em casa, parecem não se importar com o risco em que colocam esses animais indefesos. Ao ser descoberto, o indivíduo que tinha 55 anos e cuja identidade não foi revelada pelas autoridades, negou ser o autor intelectual do crime, alegando que apenas os guardava para um amigo.
Mesmo assim, ele poderá enfrentar 5 anos de prisão e uma multa de 6.700 euros Tudo o que esperamos é que o culpado por essa atividade hedionda seja punido pela lei como ele merece e que a comunidade se conscientize que estão a afetando enormemente a natureza, e que, na medida do possível, todos contribuam para defender esta espécie para que não seja castigada desta forma.


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CURIOSIDADES SOBRE O MUNDO ANIMAL MUITO INTERESSANTES

snail

O mundo animal é surpreendente — e às vezes até um pouco estranho. Separamos alguns dos fatos mais interessantes do livroThe Illustrated Compendium of Amazing Animal Facts, de Maja Säfström 
Uma lesma pode se esconder em sua concha por três anos para se proteger do tempo ruim
Corujas têm três pálpebras em cada olho: uma para piscar, uma para dormir e uma para limpeza
Quando a fêmea de um grupo de peixes-palhaços morre, o macho dominante se transforma em uma fêmea para substituí-la
Coalas dormem 22 horas por dia
Andorinhões passam a maior parte da vida voando: podem ficar no ar por até 10 meses sem parar
Beija-flores batem as asas até 200 vezes por segundo, o que consome muita energia e faz com que eles precisem comer até oito vezes o seu peso corporal todos os dias.
Caso uma tarântula perca uma perninha, outra nasce no lugar.
A rã-da-floresta pode congelar completamente durante o 
Texugos cavam tanques subterrâneos com até 50 saídas capazes de hospedar múltiplas famílias da espécie.
Bichos-preguiça só descem uma vez por semana das árvores — para fazer cocô.
Se você cortar a cabeça de uma barata ela continuará viva por dias.
Polvos usam seus tentáculos para sentir o gosto e o cheiro das coisas.
Além de viverem mais de 150 anos, tartarugas conseguem sentir através de seus cascos.
Tamanduás não têm dentes, mas suas línguas são extremamente pegajosas e podem crescer até dois metros de comprimento.
E as línguas das girafas são tão longas que elas podem lamber seus próprios ouvidos.
Os crocodilos podem sobreviver por três anos sem alimentos.
Antas adoram nadar e usam seus narizes flexíveis como snorkels na água.
Além de mudarem de cor, os camaleões podem mover os olhos separadamente e olhar em duas direções ao mesmo tempo.
Falando em mudar a cor, as cabeças de perus selvagens variam entre o vermelho, o branco e o azul dependendo do humor.
Morcegos são os únicos mamíferos que podem voar.
Flamingos urinam nas próprias pernas para se resfrescarem.
Tubarões cultivam novos dentes constantemente — até 30.000 na vida.
Abelhas nunca dormem.

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OPÇÕES


«Boicotar os jornais vinculados às elites. (…) Tudo o que se publica [na imprensa burguesa] é constantemente influenciado por uma ideia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num facto: combater a classe trabalhadora. (…) E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador» (In “Os Jornais e os Operários” de António GRAMSCI).
A afirmação do filósofo italiano tem mais de um século. Dirão muitos camaradas que os “tempos são outros”, outros dirão que o “estalinismo é passado”, sem notarem o século que estas notas contêm. Outros(as) alvitrarão, ainda, que o marxismo não é repetição “ad hoc” de uma ciência aplicada ao seu tempo concreto, chancelando, dessa forma, as leituras deliciosas que fazem ao fim de semana do pasquim “de referência” fascistóide, “Expresso” ou as fascinantes fontes de informação do jornal prostituído da “pós-verdade”, como é o caso do imbecilizante jornal “Público”. Já nem quero aludir ao demencial CM (aludi).

FREGUESIA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE - JUNTA DE FREGUESIA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE/BARRONEXE


O Amor queria…


O Amor queria…
Eu queria escrever a tristeza que me assola,
Queria poder ter-te desnudada ao pé de mim,
Para me ouvires dizer: – Não é impuro o amor, meu amor...
É como a luz do Sol e a nascente da água cristalina…
É como a chuva deleitosa, caída no árido deserto…
É tudo o que germina e vive além do tempo…
É mais, muito mais, que o tempo do momento,
É um todo o que se imensa por dentro do meu sentir!
Eu queria que escutasses e soubesses,
Que por dentro de mim, por fora de ti, por nós…
São agora os meus sorrisos de água – São lágrimas…
Os teus são de luz silenciosa, que dão a volta aos dias
Desertos e negros que hoje se enlaçam,
Até se fundirem – Oásis florescente sem amor,
Desposado pela ausência dourada do meu sol!
E queria tocar-te e ver-te com meus olhos cerrados,
Para deixares de ser corpo e seres apenas a alma
Acesa, domiciliada em mim, que me ilumina e me incendeia.
Procuro nos teus olhos uma centelha da chama do passado,
Nesta delonga, padeço para cingir o teu olhar calado,
Só então, depois de o prender, sou ditoso e versejo,
É quando o meu ser ressuscita, e se extingue o teu.
E queria respirar em ti para me afogares de mimos,
Matando as palavras em que nado, e com que me forro,
Numa escrita delida, triste, maculada e rasurada,
Sem os odores e o som dos vocábulos que emudeces,
Que não provo, pois calas para mim o seu dizer,
E escondes de ti o sabor a pão dos beijos meus …
E queria caminhar na obscuridade da tua claridade,
Como uma Lua transvertida em Sol que se apaga,
Que invocasse a tua cegueira alvorecida em mim
Para aí me focar, encandear, me ler, me divisar…,
Assim soubesse eu ser tu - quisesse eu sê-lo…,
E, em nostalgia, a tua luz seria a minha escuridão.
E queria que trajasses a minha pele por dentro de ti,
Para que estivesses ainda mais bela, aplacada e nua…
Pois em desvairo, espraio-me na tua cama e sonho,
Quando apenas almejava ser um quente devaneio teu,
Pois só quando te penetro com a merecida avidez,
Então, eu mato a minha imensurável sede de te amar.
Eu queria levitar, voando como a mais bela semente,
Sobre um fértil solo, onde te pudesse semear,
E crescerias como a mais pecaminosa e aromática flor,
Com a memória das pétalas dispersas pelo campo,
Onde, como outrora, eu te voltasse a tomar e a amar.
Era como se os meus lábios ferrassem num ímpeto,
A tua alma plangente e embaciada de mim,
Que de novo se abriria num aroma divino imaculado.
Eu queria que este sonho, e neste novo amanhecer,
Ver os teus olhos iluminar os meus de alacridade,
Acendendo a labareda desta vida, já sem leito de cetim.
Só então, aí, galgaria as cercaduras do meu rio, até ser mar…,
Onde, amar, amar o mar, só por amar, e nada dar, é fantasia,
E o mesmo mar, do meu amar, que só se vê depois de amar,
Como se as mil mãos do vento, afagassem o meu corpo,
Acendendo a chama do meu dormente vulcão em sigilo.
Eu queria…, Eu quero, mas não sei!
Maia, 8 de maio, de 2016
Albano Sousa

AS TRANÇAS DE MARIA

Serra do Larouco // Fernando Ribeiro
“Se passeares no adro no dia do meu enterro diz à terra que não coma as tranças ao meu cabelo”, cantam por vezes as mulheres da região de Lafões. Com uma das mais bonitas tranças que vi até hoje, dias antes de morrer, a irmã quase nonagenária da minha avó contou-me a história da deserção do meu bisavô. Acamada e ensombrada pela cegueira num lar transmontano, desdobrou a memória e falou do rapaz que andou clandestino durante meses pelas montanhas do Larouco. Não fazia ideia de quem era Lénine e do que havia sido a Conferência de Zimmerwald mas o pastor e contrabandista, que acabaria por morrer sem nunca ter visto o mar, decidia há cem anos adiar a morte evitando uma guerra que não lhe dizia nada. 

No tempo em que viajar a Lisboa era quase mudar de país, uma geração de transmontanos atravessada pela pobreza acabou por se lançar pela aventura da migração. De Fiães do Rio, com 15 anos, saiu Bento Gonçalves para Lisboa onde acabaria como torneiro mecânico no Arsenal da Marinha. Não muito diferente foi a história de Militão Ribeiro que, com apenas 13 anos, começou a trabalhar como operário têxtil no Brasil. O jovem de Murça acabaria por ser expulso daquele país por militar no Partido Comunista Brasileiro e não teve dúvidas em desafiar o fascismo português ingressando no PCP precisamente depois de Bento Gonçalves assumir a direcção do partido. Oito anos depois da morte do então secretário-geral no campo de concentração do Tarrafal, Militão Ribeiro era também conduzido à morte na prisão pelos esbirros. Antes conseguiu escrever com o próprio sangue uma carta em que jurava fidelidade aos ideais por que lutava.
No dia do funeral, entre o nevoeiro e o frio, uma das figuras mais carismáticas do Barroso conduzia a missa de corpo presente da minha tia-avó Maria. Entre o pesado granito da igreja, lembrei-me, então, do Cinco dias, cinco noites. Na adaptação da obra de Álvaro Cunhal ao cinema, foi o próprio padre Fontes que interpretou o barqueiro que conduz o militante comunista ao outro lado da fronteira. Lambaça, o passador responsável por entregar André ao dono da embarcação, carregava também com ele essa dureza que seca o rosto, que abre sulcos nas mãos e que transmite por vezes frieza no trato. Talvez fossem as marcas de um povo calejado por uma história difícil mas forjado na resistência de que falava Miguel Torga. O mesmo padre Fontes que participou nas campanhas de alfabetização ao lado do poeta comunista Manuel Gusmão foi um dos responsáveis pela insistência na preservação dos fortes elementos comunitários e pagãos na cultura barrosã, uma herança que passou de geração em geração.
É na sua relação com o opressor que o oprimido define a sua identidade. E isso reflecte-se na cultura própria de cada realidade. As aldeias raianas ergueram-se entre muralhas de pedra e aguçaram o carácter desconfiado para resistir a Leão e Castela. O lugar que cada um ocupa na cadeia de produção é o cadafalso que descobre à nascença o que vai ser cada um de nós. Por exemplo, a capoeira como sinónimo da identidade combativa dos escravos arrastados de Angola para o Brasil sobreviveu e é executada todavia entre os negros brasileiros. Se ainda resiste a cultura produzida na sombra da barbárie esclavagista é porque as diferentes gerações nunca renegaram a sua condição e a batalha contra a injustiça. Quando se atravessa o Largo de São Domingos e se tropeça no enxame de turistas que diariamente invadem Lisboa, sabemos que aprendem como foram massacrados milhares de judeus naquele espaço. Ao lado, imunes à indiferença, permanecem dezenas de guineenses como herança dos escravos que foram objecto de tráfico no mesmo largo. Ninguém se preocupa com a memória histórica daqueles que foram arrastados à força entre continentes para alimentar as potências coloniais.
Certo dia, um dos locutores da emissora clandestina de rádio das FARC convidou-me para assistir a um baile de cumbia. Guerrilheiras e guerrilheiros ensaiavam para as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Uma das combatentes puxou-me para dançar e, entre gargalhadas, explicou-me o que devia fazer. Sobretudo dobrar um pouco os joelhos, inclinar as costas e arrastar os pés. Eu não sabia mas estava a repetir os gestos que séculos antes faziam os escravos acorrentados para imitar a dança dos espanhóis. Foi assim que surgiu a cumbia. A cultura que nos faz lembrar o que realmente somos é desafiada diariamente pela avalanche de informação que nos convida a renegar a nossa condição. Num dos seus livros, o escritor cubano Alejo Carpentier descreve como os donos das plantações desprezavam os batuques africanos e ao mesmo tempo os viam como uma forma de alienação, de manter os escravos entretidos. Não sabiam, contudo, que das batidas no couro saíam códigos de revolta encaixados entre a devoção aos orixás e o ódio ao amo.
O rio da história avança e cresce trazendo até nós a experiência acumulada de séculos de luta contra a opressão. É também o passado que se traduz nas conquistas que hoje tratamos de defender. É de lá que nos acaba de chegar a mensagem que operários de uma fábrica de cimento desenterraram em Kamensk esta semana. Há meio século, funcionários locais deixaram uma nota para ser lida no centenário da revolução de Outubro: “Passarão anos e vocês, a geração de 2017, substituirão os veteranos da Revolução. Pedimos que cumpram com o legado leninista fazendo com que se torne realidade junto das gerações seguintes”. Em Parada de Bouro, no Gerês, também há dias, dezenas de cães passeavam-se com as correntes a arrastar pelo chão da aldeia. Tinham enlouquecido com o barulho de uma carrinha que anunciava cinema itinerante à população. Acabaram por se soltar. Eram já livres mas todavia se ouvia o tilintar do metal da correia. Isso fez-me lembrar que só sente as cadeias que o aprisiona quem se move. É a vida a mostrar que se somos rio, devemos ser mar, sem margens estreitas que nos comprimam a existência.
Este artigo encontra-se em: Manifesto74 http://bit.ly/2wjrGrD

O diamante que liberta aroma





Uma das melhores coisas das nossas vidas são as memórias. E o mais impressionante de tudo é a forma como alguns sabores e cheiros conseguem despertá-las.

Debaixo de terra, soterrados entre 10 a 15 centímetros abaixo de camadas de matéria orgânica morta, no meio da humidade da floresta, estão diamantes brancos raros. O aroma que libertam é tão específico, tão crucialmente irresistível, que são precisos cães especialmente treinados para os encontrar. Não são pedras estes diamantes, são trufas brancas, um dos ingredientes mais raros e cobiçados do mundo.
Cerca de dois mil quilómetros separam-nos de Alba, na região de Piemonte no norte da Itália, e esta é uma distância pequena, tendo em consideração que todos os anos centenas de pessoas se deslocam até lá vindos dos locais mais longínquos do planeta – e não é porque é nesta pequena cidade que está a fábrica da Ferrero. O leilão de trufas brancas em Alba é o motivo pelo qual deve sentar-se ao volante do Crossland X e tentar chegar lá antes de algum magnata de Xangai.




A viagem será certamente confortável graças aos assentos ergonómicos, e acaba por servir de antevisão à experiência que nos aguarda: estamos a caminho de um dos maiores símbolos de luxo, e é apenas lógico que o façamos sentados num automóvel em que os materiais da melhor qualidade foram moldados de forma exímia, com acabamentos que “gritam” premium, ainda que de uma forma sóbria.

Mas não vale a pena ir em qualquer altura. As trufas brancas só são colhidas durante um ou dois meses, no final do outono, depois dos tais cães de caça especiais os farejarem. Costumavam ser porcos a ter esta honra, mas eles demonstraram não conseguir controlar a gula na altura da descoberta. A colheita é feita durante a noite e com recurso a ferramentas desenhadas de propósito para o efeito, os cavadou, para garantir que as trufas não são danificadas. Depois de serem limpas, as trufas são pesadas, catalogadas e guardadas num cofre até ao leilão, tudo isto sob vigilância policial.




A forte presença de Carabinieri durante o período do leilão é fácil de explicar. Afinal o preço médio das trufas brancas ronda os 130€... por grama. Não é o tipo de produto que se possa simplesmente comprar numa mercearia dizendo “meta aí um ou dois quilos no saco”, mas também não precisa de uma quantidade (obscena) como essa.
O preço médio das trufas brancas ronda os 130€ por grama
Umas pequenas raspas de trufa branca são suficientes para tornar um prato numa experiência marcante e uma das melhores coisas que pode ter na sua lista de conquistas de vida é conduzir até Alba, comprar um pouco de trufa branca, pedir ao seu assistente OnStar que indique o restaurante mais indicado para depositar esse diamante branco em mãos experientes e, finalmente, saborear.




Seja num risotto, numa pasta ou num puré, o mais certo é que as suas papilas gustativas o transportem para uma memória relacionada com terra acabada de ser arada, uma chuva leve num bosque, uma brincadeira de infância, um amor perdido. E é nessa altura que vai perceber que levar o Crossland até aos belos montes de Piemonte (perdoe-nos a diácope) e gastar centenas de euros em pouco mais do que uns gramas daquilo que é, no fundo, um cogumelo (perdoe-nos o delapidar do seu património), faz mais sentido do que qualquer diamante de pedra poderá alguma vez fazer.

coisasboasdavida.voltaaomundo.pt

POR CÁ

NÓS PORTUGUESES SOMOS VÍTIMAS NÃO DO DAESH MAS SIM DO "ESTADO BALSÂMICO" . DO CHEIRO, DO ODOR, DO AZEDO, DE QUARENTA ANOS DE GOVERNAÇÃO NEO LIBERAL DE DIREITA QUE TAMBÉM FEZ E FAZ MUITAS VÍTIMAS.

MUITAS DAS VEZES SILENCIOSAS AS VÍTIMAS DESSE TERRORISMO FASCISTA E CAPITALISTA QUE LEVA AS PESSOAS AO DESESPERO, AO DESÂNIMO, A DESISTIR DE VIDAS JÁ ENTRETANTO ORGANIZADAS, OU NO COMEÇO.

O TERRORISMO DAS BOMBAS QUE DESPEDAÇA A CARNE DE INOCENTES É O MESMO QUE NOS PAGA SALÁRIOS DE MISÉRIA, QUE NOS PENHORA A CASA, QUE NOS EXPLORA E QUE NOS ROUBA.

António Garrochinho

A CONVERSA É COMO AS CEREJAS


HOJE TINHA NA IDEIA FALAR SOBRE A MORAL, A ÉTICA, AS REGRAS DA BOA EDUCAÇÃO.
DE CERTEZA UMA TEMÁTICA QUE DÁ PANO PARA MANGAS MAS MUITO, MUITO, COMPLEXA.

ESTIVE A BEBER A BICA E O "SHELTOX" NO "CAFÉ CENTRAL" E DEPOIS DE TER OBSERVADO ALGUMAS PRÁTICAS SOBRE O TEMA QUE TINHA ALINHAVADO E PENSADO ESCREVER, ACHEI POR BEM ADIAR PARA REUNIR MAIS ALGUMAS LUZES INTERIORES SOBRE O ASSUNTO QUE NOS INDIGNA, OU NÃO NOS SURPREENDE, QUANDO POR EXEMPLO SE CHEGA A UM DETERMINADO LOCAL CHEIO DE GENTE E NÃO SE DIZ BOM DIA A NINGUÉM.

HÁ QUEM DIGA QUE O QUE NÃO DIZ BOM DIA TEM A BOCA CHEIA DE MERDA, HÁ QUEM DIGA QUE O QUE CUMPRIMENTA TUDO E TODOS É POPULISTA, ENGRAXADOR, MANHOSO ETC

CLARO QUE DIZER BOM DIA NÃO DEFINE QUALQUER CIDADÃO NEM MOSTRA DE IMEDIATO A INTENÇÃO DO MESMO OU A SUA POSTURA PERANTE OS SEUS SEMELHANTES.

HERDAM-SE, APRENDEM-SE REGRAS BOAS E MÁS E EMBORA SEJA SABOROSO OUVIR UM BOM DIA, A AUSÊNCIA DESSE SOM NÃO É NUCLEAR NAS NOSSAS VIDAS.

HÁ OS QUE PODEM CUMPRIMENTAR, ARREGANHAR A TACHA E A SEGUIR DETONAM-SE FAZENDO UMA MORTANDADE À SUA VOLTA .

HÁ OS QUE NOS SORRIEM EDUCADINHOS E NOS ROUBAM ATÉ À MEDULA.

HÁ OS RUDES QUE NÃO NOS CUMPRIMENTAM MAS VIVEM AS SUAS VIDAS SEM PREJUDICAR NINGUÉM.

HÁ OS QUE SEM RAZÃO ALGUMA NOS DEIXAM DE FALAR.

HÁ OS QUE NOS FALAM PARA NOS ENGRAXAR, ILUDIR, PARA QUE ESTEJAMOS RECEPTIVOS À SUA ESTRATÉGIA.

HÁ OS QUE NOS FALAM SÓ POR INTERESSE, NEGÓCIOS, NAMORO, OU PARA MOSTRAREM A OUTROS O QUANTO SÃO "EDUCADOS".

HÁ OS QUE PARECEM VIVER NA LUA E SÃO EXCELENTES AMIGOS E MANTÊM ESSA POSTURA UMA VIDA INTEIRA E DISCUTEM-NA SAUDAVELMENTE.

HÁ OS QUE NA SUA ESTRANHA CAGANEIRA DE SUPERIORIDADE (QUE NADA MAS É DO QUE O COMPLEXO DE INFERIORIDADE) NÃO NOS DIZEM BOM DIA ESPERANDO QUE SEJAMOS NÓS A TER A INICIATIVA.

LÁ FICAMOS NÓS INDIGNADOS EXCLAMANDO QUE NOS TEMPOS ANTIGOS NÃO ERA ASSIM, TODA A GENTE SE FALAVA, TODA A GENTE ERA UNIDA, TODA A GENTE ERA SIMPÁTICA E EDUCADA.

NADA DISTO SE PODE TOMAR COMO CERTO POIS FALAR OU NÃO FALAR A QUEM SE ENCONTRA NO LARGO DA ALDEIA OU NA MESA DO CAFÉ NÃO DEFINE DE IMEDIATO O CONTEÚDO DO CIDADÃO.

EU ESCREVO COMO SE DIZ DE IMPROVISO NÃO COSTUMO FAZER RASCUNHOS DO QUE PRETENDO DIZER E COMO TAL TENHO A CONVICÇÃO QUE POR VEZES ME TORNO CONFUSO.
HABITUEI-ME ASSIM, E SEMPRE PENSEI QUE ERA MELHOR ESCREVER, DIZER, DO QUE NÃO ME MANIFESTAR, FICAR NAS COVAS, GUARDAR PARA MIM.

SEI POR EXEMPLO QUE ESCREVENDO EM MAIÚSCULAS NÃO É GRITAR (EU NÃO ESTOU BERRANDO) SEI QUE NÃO ME QUERO SUPERIORIZAR A NINGUÉM.

FAÇO O QUE GOSTO, ESCREVO EM MAIÚSCULAS OU MINÚSCULAS E PENSO QUE NÃO PREJUDICO NINGUÉM.

BREVEMENTE LHES VOU FALAR DE ÉTICA, DE ETIQUETA, DE BOA OU MÁ EDUCAÇÃO.

BOM RESTO DE SEMANA !

António Garrochinho

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

poesia:António Garrochinho


ai que inveja
que brotoeja
me dá ver outros entender
discutir, não concordar, desobedecer
dar a cara, não esconder o nome
e quem à janela se assome
e em cusca passar a vida
sempre de língua fodida
para tudo criticar
e nunca para si olhar
não fazendo a auto crítica
massa encefalica paralítica
desprezo por tudo e por todos
e dizer ser inteligente a rodos
no mundo só ele existir
e nem sequer merecer cá vir
quem assim é e vegeta
sempre a querer cortar a meta
ser o melhor do mundo
e por fim bater no fundo
como qualquer tolo, ignorante
que não pára um instante
de ser o centro do universo
ser estúpido e perverso
que inveja que brotoeja
odiar quem sabe e quem veja
as voltas que o mundo dá
e sentar-se no sofá
na cara com uma vareja.


António Garrochinho

Portugal devastado: rotina ou terrorismo?



O vento sopra em todo o país, mas as chamas, tal como em 1975, poupam as zonas onde prevalecem grandes interesses económicos tendencialmente sem pátria.
https://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/paulocunha_incendioabrantes_res.jpg?itok=KCSu8OA-
CréditosPaulo Cunha / Agência Lusa
O terrorismo tem mil caras. Lançar o terror contra pessoas comuns e quase sempre indefesas, ou atemorizar populações e devastar países usando os cidadãos apavorados como reféns são práticas que preenchem os nossos dias num mundo que, pela mão de dementes usando o poder acumulado por conglomerados do dinheiro, caminha para inimagináveis patamares de destruição.
Portugal tem tido a sorte de ser poupado pelo terrorismo, diz-se e repete-se, por vezes com inflexões de um misticismo bolorento próprio de pátrias «escolhidas» para auferir das mercês do sobrenatural. Uma interpretação com curtos horizontes e vistas estreitas, características cultivadas por uma comunicação social habilmente arrastada para realidades paralelas e que reduz o terrorismo dos nossos dias ao estereótipo do muçulmano fanático imolando-se com explosivos à cintura, ou atropelando a eito, não se esquecendo de deixar o cartão de identidade, intacto, num local de crime reduzido a destroços humanos e amontoados de escombros.
Assim sendo, deixa de ser terrorismo, por exemplo, o que a NATO fez na Líbia, o que Israel pratica em Gaza, os massacres que as milícias nazis integradas no exército nacional da Ucrânia «democratizada» cometeram, por exemplo, na cidade de Odessa.
Olhando em redor, porém, é imperativo que cada um de nós estilhace a dependência em relação a um conceito de terrorismo que corresponde a uma ínfima parte da gravidade do fenómeno global. Só assim alongaremos os horizontes e alargaremos as vistas que permitirão reflectir a sério, e profundamente, sobre a realidade que devasta Portugal e que, com uma irresponsabilidade e uma inevitabilidade próprias de uma cultura tecnocrática e desumana, chegou a ser conhecida como «a época dos incêndios».
Se quisermos reflectir livre e abertamente sobre o maior número possível de aspectos da situação com que nos confrontamos é imprescindível associar o poder destruidor e aterrador dos incêndios deste ano ao quadro político-social que vivemos em Portugal; e também à memória que em muitos ainda estará viva e que outros poderão consultar junto dos mais velhos ou das fontes de uma época que dista 42 anos. Chamaram-lhe o «Verão quente de 1975».
Pois nesse «Verão quente», assim baptizado não por causa do terrorismo incendiário mas de uma instabilidade política inerente às situações revolucionárias e também organizada, em grande parte, por conspiradores externos, internos e todos os outros manobradores integráveis no diversificado círculo dos contrarrevolucionários, multiplicaram-se as práticas terroristas.
Houve os assassínios políticos puros e duros, os assaltos às sedes dos partidos de esquerda, quase sempre culminados com incêndios, a intimidação e perseguição de democratas em regiões onde o salazarismo campeava como se nada tivesse acontecido, forçando a restauração de situações de clandestinidade; e houve os incêndios: no Alentejo, ferindo a Reforma Agrária, que depois viria a ser assaltada e liquidada em nome da «normalidade», da «estabilidade», enfim, da «democracia do arco da governação»; e que deflagraram também em muitas outras regiões do país onde não ameaçavam os grandes interesses económicos estabelecidos – desde logo protegidos pela contrarrevolução – caracterizadas por populações economicamente mais débeis, socialmente vulneráveis, presas fáceis das mensagens contra a «indisciplina», a «balbúrdia» e todos os outros nefastos efeitos atribuídos à revolução.
Hoje os tempos são outros, mas quem dispuser de olhos para ver não terá dificuldade em encontrar pontos de contacto. A própria comunicação social, no seu afã recadeiro de apontar culpados e responsáveis pelas causas e consequências da interminável vaga de incêndios, abre interessantes pistas de análise e, por certo involuntariamente, ajuda a estabelecer diferenças gritantes entre a tragédia deste ano e as rotineiras «épocas de incêndios».
Sem precisar de evocar essas discrepâncias, é evidente que o actual governo português, pesem embora as suas subserviências, que são também fontes das suas fragilidades, não goza das simpatias dos interesses que gerem a União Europeia, a NATO, enfim das gentes que dirigem o mundo. Tal como em 1975, mesmo que as semelhanças sejam pouco mais que imperceptíveis.
Porém, nunca como agora, nos tempos da «estabilidade», um governo foi atado ao pelourinho dos responsáveis pela vaga estival de incêndios, tanto pela oposição como pela comunicação social. São conjecturas, especulações, exigências de demissões, acusações levianas de incompetência, sucessivas adivinhações sobre «remodelações ministeriais», aproveitamentos necrófilos das vítimas, mentiras sobre suicídios e outras desgraças – o quadro é tão conhecido que não vale a pena prosseguir com a enumeração das malfeitorias.
As atrocidades políticas chegam ao ponto de responsabilizar o governo por insuficiências do SIRESP e da PT, entidades privadas que se guiam pelo lucro e não pelos interesses humanos, quando o verdadeiro pecado do executivo, nesta matéria, é sujeitar-se a mendigar investimentos a sociopatas, pondo liminarmente de lado o dever de colocar tais entidades ao serviço dos portugueses e às ordens do Estado Português, porque manipulam interesses estratégicos dos cidadãos nacionais, prejudicando-os.
No meio da altercação passa de fininho o facto mais repugnante das manobras: foi a actual oposição quem entregou esses serviços fundamentais a entidades que nem querem ouvir falar em pessoas e nos inconvenientes que provocam ao bem-estar do mercado.
«As atrocidades políticas chegam ao ponto de responsabilizar o governo por insuficiências do SIRESP e da PT, entidades privadas que se guiam pelo lucro e não pelos interesses humanos»
Indo por este caminho, porém, perder-nos-íamos em atalhos da política de bordel e nunca chegaríamos ao patamar de reflexões que a situação dos incêndios em Portugal exige.
O princípio da abordagem é tão óbvio que a comunicação social foge dele como o diabo da cruz: o fogo que alastra em Portugal, sem descanso, resulta da acumulação de incêndios isolados provocados por fenómenos naturais ou pela demência de pirómanos? Ou é uma vaga terrorista organizada para devastar o país, delapidar o que resta da sua riqueza natural e impedir o governo de governar até que mãos salvadoras venham encarreirar a pátria nos trilhos de onde jamais deveria ter saído?
Estamos, obviamente, a lidar, com uma teoria da conspiração.
Assim era também o argumento fatal em 1975, como muitos se recordarão. No entanto, na sombra, organizações terroristas como o ELP («Exército de Libertação de Portugal«) e o MDLP («Movimento Democrático de Libertação de Portugal»), dirigidas por mãos experientes como as do marechal Spínola e de profissionais do terror instalados em embaixadas estrangeiras – de países da NATO, naturalmente – conduziam a vaga de incêndios e outras acções terroristas contra Portugal e os portugueses. O objectivo era virar as populações indefesas contra a «balbúrdia» criada pelo movimento transformador, abrindo as portas à contrarrevolução, à «estabilidade». E conseguiram-no.
Quando se saúda que Portugal tem estado imune ao terrorismo costuma acrescentar-se que o mesmo acontece em relação a organizações fascistas, por sinal numa Europa onde elas se desenvolvem a ritmo veloz. Será?
Ora vivendo nós em macro estado policial formado pela União Europeia e a NATO, onde as organizações internas e externas para devassa secreta da vida dos cidadãos se atropelam, ao que parece para detectar as intenções ínfimas de um qualquer muçulmano, não haverá meios para investigar a possibilidade de existir um ataque terrorista sistematizado contra Portugal através desta espécie de fogo inquisitorial? Ou será porque não querem? Ou será porque tal hipótese nem sequer passou por cabeças tão informadas sobre as vocações conspirativas de cada qual?
Ou porque entendem que é suficiente resumir os autos aos interrogatórios de dezenas de incendiários já detidos, como se o banal executante do crime soubesse dizer alguma coisa sobre os chefes terroristas supremos? Se acham que investigar assunto tão corriqueiro é enfadonho, ao menos ouçam os bombeiros.
Até à vista desarmada – sem necessitar da espionagem por satélites ou da caça aos telefones e e-mails de cada um de nós – se percebe que nem tudo é aleatório no quadro de incêndios em Portugal. O vento sopra em todo o país, mas as chamas, tal como em 1975, poupam as zonas onde prevalecem grandes interesses económicos tendencialmente sem pátria.
As vítimas da catástrofe são pequenos e médios proprietários fundiários, normalmente esquecidos pelos governos e indefesos perante as calamidades; o terror ataca pequenas aldeias que até os mapas oficiais olvidam, ou então preciosidades do património humano, histórico e natural que é de todos, como no caso da Gardunha e suas aldeias, onde chegou a hora do ataque das chamas.
Tanto como destruir, o efeito procurado é o de aterrorizar. Não é difícil perceber que o fogo, entendido como a soma de todos os incêndios, escolhe áreas a consumir, combustíveis e rotas que não são apenas as ditadas pelos ventos. Ao menos a grande parte do Alentejo flagelada em 1975 tem sido agora poupada, provavelmente porque os ventos, tal como os tempos, também mudaram.
Se pedirem a cada uma das pessoas directamente prejudicadas pela calamidade que cite responsáveis pela tragédia, certo será, mesmo sem qualquer sondagem, que o governo ficará com as orelhas a arder. As pessoas sentem, mas também ouvem e assimilam, sobretudo o que via TV's, rádios e jornais as ajuda a identificar os alvos mais fáceis para descarregar a raiva do desespero.
O ELP e o MDLP já lá vão, sendo certo que as suas mentalidades não se desvaneceram, tudo tem o seu aggiornamento.
Ignorar, para os devidos efeitos, que a vaga de incêndios em curso em Portugal, pelas suas características, regiões de acção e contumácia, pode ser uma operação de terrorismo organizado é um crime contra o país e todos os portugueses. Uma hipótese como essa não pode ser descartada.
Por isso, é dever de todos os cidadãos interrogar-se, reflectir e exigir respostas das autoridades competentes sobre quem tira proveito dos dois crimes: o dos incêndios e o do laxismo no apuramento de uma eventual componente terrorista.
Uma coisa parece óbvia e pode servir como ponto de partida para uma investigação que se pretende indispensável: ninguém, desde o Presidente da República ao mais comum dos cidadãos, pode garantir que o ataque incendiário em curso contra Portugal não é uma operação terrorista.


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