AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


domingo, 28 de maio de 2017

DOBRADINHA


Governo "não andou bem" no processo de recapitalização da CGD



"Não andou bem o governo do PS nesta matéria [da CGD] e andou também muito mal quando entregou o Banif ao maior banco espanhol a preço de saldo e com pesados encargos para o erário público e o Novo Banco a um fundo de investimento americano, ao mesmo tempo que adiava o prazo de pagamento da banca privada de 4,9 mil milhões de euros ao fundo de resolução do BES, por 30 anos", afirmou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa falava em Seia, no distrito da Guarda, num almoço da Coligação Democrática Unitária (CDU), que juntou cerca de 200 militantes, após a presidente da Junta de Freguesia de Almeida, Fátima Gomes (CDU), ter falado da luta da população contra o encerramento do balcão local da CGD.

No seu discurso disse que "para o capital há sempre tempo e espaço, para aqueles que hoje lutam pelos seus direitos e interesses, como a população de Almeida, isso aí atrasa, atrasa, atrasa sempre".

"Defendemos a recapitalização da Caixa como uma necessidade estratégica para a sua defesa e desenvolvimento como banco público ao serviço do povo e do país, mas não poderíamos, nem podemos aceitar um plano de reestruturação assente em centenas de despedimentos e no encerramento de dezenas de balcões", afirmou o líder do PCP.

Acrescentou que o partido também não aceita "a solução que impôs a União Europeia, e o Governo PS aceitou, que o obriga à emissão da dívida com uma taxa de juro de 10%".
"As dificuldades por que tem passado a Caixa não estão no número de balcões, nem no número de trabalhadores. Essas dificuldades têm origem na forma como foi gerida a carteira de crédito, nos créditos concedidos aos amigalhaços, sem nenhuma garantia de reembolso, nos negócios ruinosos, como aconteceu com o negócio de Espanha, entre outros", afirmou Jerónimo de Sousa.

Observou ainda que "não foram os trabalhadores, nem as populações os responsáveis pela situação, pelo que não podiam, nem podem ser eles a ser penalizados".
O líder do PCP disse também que o problema do encerramento da agência da CGD de Almeida revela que ainda é necessário "continuar a lutar para inverter o inquietante processo de desertificação, declínio social, de estagnação de regressão económica que a política de direita promoveu durante todos estes últimos anos".

O fecho da agência de Almeida faz parte do plano da CGD para encerrar 61 agências por todo o país e consta da reestruturação do banco público acordada com a Comissão Europeia, na sequência da recapitalização de cerca de 5.000 milhões de euros.

Com o fecho do balcão de Almeida, já efetuado, os habitantes têm de se deslocar a Vilar Formoso, que dista cerca de 15 quilómetros da sede de concelho, o que tem motivado protestos.


www.noticiasaominuto.com

GLORIOSO S.L.B. TETRA E DOBRADINHA - GLORIOSO VENCEU TAÇA DE PORTUGAL

VÍDEO


Entornaram as tintas

ENTORNARAAS TINTAS













apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

Diógenes: O inimigo da Educação que não mais esconde sua intenção



O objetivo da obsessão pela “neutralidade” nas escolas é construir apenas uma convicção firme: a de se não ter convicções firmes.O objetivo da obsessão pela “neutralidade” nas escolas é construir apenas uma convicção firme: a de se não ter convicções firmes.
A palavra “política” pode ser traduzida como a ciência da organização, direção e administração de estados ou nações relacionados aos grupos que integravam as “pólis” à época, sendo que a “polis” compreendia a comunidade organizada, formada pelos “politikos”, que eram os seus habitantes, ou seja cidadãos.

Dos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “pólis” derivam também as palavras “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos).

Feita essa introdução podemos afirmar que a política está profundamente arraigada na dinâmica da relação entre o Estado e seus cidadãos e intrinsecamente ligada à questão de sua educação.

Em meio à uma crise ética, de consciência, econômica, humanitária, social e ouso dizer existencial vivida no Brasil (e no mundo) eis que surge das profundezas do obscurantismo um discurso de negação da política, mas um discurso travestido com roupagem de legítimo, sob a égide de evitar-se “doutrinação ideológica” por parte de educadores nas escolas.

Tal discurso tem sido vociferado por uma extrema direita sem escrúpulos, e replicado por uma parcela da população que se porta como caixas de ressonância de ódio sobre temas que não compreendem.
Propor a negação da política em qualquer âmbito é tentar impor um princípio antidemocrático de pensamento único.

Negar a política é praticar a pior das políticas possíveis, levando-se em consideração que “a política é a arte do possível” como disse Bismarck, ou “que somos animais políticos”, como disse Aristóteles.


Paulo Freire — Pedagogia e Práxis

“Não existe educação neutra, toda neutralidade afirmada é uma opção escondida” aprendemos com Paulo Freire, patrono da Educação brasileira e mundialmente reconhecido por sua práxis educativa.

Também com Paulo Freire aprendemos ser o domínio das linguagens e das palavras um instrumento para que, alfabetizado, o aluno elabore sua consciência política, conquistando um ponto de vista mais amplo do saber e do universo no qual habita.

Situando o aluno diante de sua posição neste universo é possível despertar sua consciência crítica, capacitando-o a exercer seu papel consoante cidadão, o papel de habilitar-se a participar mais dos processos sociais nos quais está inserido.

O alfabetizado pode ultrapassar o mero conhecimento da esfera de regras, métodos e linguagens e, alçado à condição de letrado, ser inserido no plano sócio-econômico e político do qual, iletrado, jazia excluído.

A “Educação Libertadora” utilizada por Freire é tão revolucionária que transformou sua imagem no alvo principal dos ataques daqueles que propõem hipocritamente uma “escola sem partido”.
Transformou Paulo Freire, o grande educador, num inimigo a ser batido.

Gostaria de finalizar esse texto identificando os verdadeiros inimigos a serem batidos, os inimigos da Educação.

São inimigos da Educação aqueles que propõe qualquer tipo de mordaça para os educadores.

São inimigos da Educação todos aqueles que negam aos alunos a oportunidade do saber através da multiplicidade de pontos de vistas.

São inimigos da Educação todos aqueles que, sob a égide de uma falaciosa “luta contra a doutrinação marxista” tentam aprisionar saberes, impor aos alunos e educadores a prisão do pensamento único, acrítico, forjado para minimizar o pensar e reduzir o aprender a algo mecânico, apático, disforme, parcial.

Paulo Freire foi um grande amigo da Educação que, do alto de sua enorme humildade e sabedoria, disse:

“ … inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.

Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.”

“Querer ser livre é também querer livres os outros.”
Simone de Beauvoir



*Diógenes Júnior é cientista político autodidata, historiador independente, ativista dos Direitos Humanos, militante do PC do B.
 


www.vermelho.org.br



"Rapa das Bestas", a tradição que controla a saúde dos cavalos selvagens na Galiza


Em Maio, arranca a temporada de uma tradição galega, que remonta à época pré-romana. O objectivo é capturar, desparasitar e marcar os cavalos selvagens da região, próxima da fronteira com Portugal.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.
Há vários séculos - a data exacta perdeu-se no tempo - duas irmãs prometeram a São Lourenço (patrono da sua paróquia) duas éguas, como oferenda de salvação, perante a peste que assolava a região. Durante a praga, as jovens refugiaram-se numa cabana junto da igreja e, ao não ficarem doentes, cumpriram a promessa e entregaram as éguas ao pároco local. O religioso deixou os animais livres na floresta e, com o tempo, acabaram por se reproduzir e espalhar-se pelas montanhas próximas...
Hoje em dia, na mesma região, há uma tradição que tem raízes nesta história e que continua a levar-se a cabo. A "rapa" - captura em galego - consiste em encaminhar para a povoação, controlar, desparasitar e marcar com microchips algumas manadas de cavalos selvagens, teoricamente descendentes das éguas da lenda e realiza-se num recinto denominado "curral", onde se juntam os animais.


A tradição oral pode basear-se em qualquer uma das pestes do século XVI, mas acredita-se que, na verdade, remonta ao período pré-romano, devido aos petróglifos encontrados na região e que representam homens a cavalo. Actualmente, repete-se anualmente em várias zonas da Galiza. Durante o trabalho com os animais, os trabalhos de desparasitação revestem-se de particular importância, já que melhoram as condições de saúde das manadas. 
O concelho de A Estrada, Pontevedra [a pouco mais de 130 quilómetros de Caminha, Portugal] é uma das zonas em que as "rapas" são mais populares. Ali, estão identificadas 13 manadas que vivem livres nas montanhas e os locais garantem mesmo que há ainda outra, extremamente selvagem, que há mais de 20 anos não desce das áreas montanhosas.
Os homens e mulheres que em cada aldeia estão encarregados de dominar os cavalos durante a "rapa" são conhecidos como "aloitadores". Sabucedo é a localidade onde se realiza a "rapa" mais famosa e, além disso, diz-se que é a única em que só se utiliza o corpo e a habilidade dos "aloitadores" para dominar os animais.
O seu actual curral foi construído em 1996 e renovado em 2012, tendo hoje uma capacidade para mil e 500 espectadores, como se fosse um pequeno estádio. Algo impressionante para uma aldeia onde durante todo oa ano apenas vivem cerca de 60 pessoas. Antigamente, esta tarefa era levada a cabo entre cercas construídas com pedras, junto às igrejas.

As "rapas" arrancam em Maio e prolongam-se até Agosto. Estas fotos dizem respeito à "rapa" realizada e, Saucedo no ano passado.
Segue o autor no Twitter @FotografiAdrian

Vê também: "As alucinantes e perigosas corridas de cavalos na Guatemala"




www.vice.com

Arroz Vermelho-Aportes dos escravos na história do cultivo do arroz africano nas Américas


Assim foi até o século 18, quando os portugueses importaram do sul dos Estados Unidos as sementes do então chamado arroz-da-carolina – melhor, mais produtivo, mais branco e mais rentável. 
O plano da Coroa era substituir por completo as lavouras do arroz-de-veneza pelo novo grão, para isso, baixou um decreto em 1772, em que proibia o cultivo de qualquer outra variedade que não o arroz branco. 


















As penas pela reincidência eram severas: um ano de cadeia e cem mil-réis de multa para os homens livres e, para os escravos, “dois anos de calceta com surras interpoladas nesse espaço de tempo”. 
Por “calceta”, entenda uma argola de ferro presa ao tornozelo. 





Documentos históricos sobre o Brasil, de meados do século XVIII, fazem freqüentes referências ao arroz, especialmente a uma espécie de casca vermelha, em uma grande área do nordeste da Amazônia (Primeiro, 1818; Marques, 1870; Chermont, 1885; Alden, 1959; Nunes Dias, 1970; Barata, 1973; Hemming, 1987; Oliveira, 1993; Acevedo, 1998). 





O arroz vermelho novamente torna-se bastante comentado durante a segunda metade do século XVIII, quando um sistema de plantação do arroz desenvolveu-se no leste da Amazônia com o apoio da metrópole. O objetivo era o de desenvolver mercados amazônidas de exportação para Portugal e adjacências, reduzir a dependência do arroz da Carolina do Sul, já que as colônias americanas haviam começado a Guerra Revolucionária (Nunes Dias, 1970; Acevedo, 1998). 
A importância do arroz como base da alimentação das comunidades de quilombolas (maroons) da Guiana já era evidente no século XVIII, quando mercenários europeus foram mandados para recapturá-los; e os quilombolas freqüentemente cultivavam o arroz em áreas descampadas e em pântanos interiores.




A domesticação do arroz africano (Oryza glaberrima) ocorreu há mais de três mil anos em uma região que vai do Senegal à Costa do Marfim, muito antes que algum navegador de Java ou Arábia tivesse introduzido o arroz em Madagascar ou na costa leste africana (Portères, 1976; NRC, 1996: 23)






Do século VIII ao XVI, árabes e europeus mencionam o cultivo do arroz ao longo do interior do delta do Rio Niger e na costa oeste africana, bem como freqüentes compras dos excedentes pelos navegadores portugueses (Ribeiro 1962; Lewicki, 1974; Littlefield, 1981; Brooks, 1993). 
Durante o tráfico de escravos pelo Atlântico, os excedentes de arroz abasteceram os navios de escravos com destino às Américas (Carney, 1996a, b). 
Ademais, apesar dos numerosos estudos sobre o arroz do oeste africano, mesmo no século XX, estudiosos rotineiramente atribuem ao arroz origem asiática, sendo sua difusão para a África dita decorrente dos comerciantes árabes e portugueses (Reznik, 1932; Ribeiro, 1962; Grimé, 1976). 
A primeira está relacionada à história do arroz nas ilhas do Cabo Verde, enquanto a segunda, tratada na próxima parte deste trabalho, analisa a presença da O. glaberrima, conforme documentos, nas regiões de colonização africana nas Américas, onde as cozinhas que utilizavam o arroz ainda mantêm sua importância. 
A partir de meados do século XV, a colonização das Ilhas do Cabo Verde, em especial de Santiago, desenvolveu um ativo comércio com os povos da costa oeste africana de cera, peles, índigo, alimentos, sal e escravos (Brooks, 1993: 130, 129). Desde o século IX o litoral e ilhas distantes da costa da Guiné, da Guiné-Bissau e Serra Leoa foram importantes entrepostos para o comércio de sal a longa distância (Brooks, 1993: 80). 
O cultivo do arroz em áreas alagadas sustentou esta vasta rede de comércio, mas esse cultivo somente emergiu como um importante bem de comércio com a chegada dos portugueses. Em torno de 1479, os principais grupos étnicos da região –Baga, Diola, Balanta, Bullom/ Sherbro e Temni– já estavam comercializando sua base alimentar com os portugueses (Rodney, 1970: 21; Carreira, 1984: 27-28; Brooks 1993: 276-96).8 

Em conseqüência desse conhecimento de certa forma tendencioso, pesquisadores falharam ao não considerar a base nativa do conhecimento sobre os sistemas de produção de arroz africano e sua intensa relação com o aparecimento deste cereal nas Américas. 
A proibição durou 120 anos, tempo mais que suficiente para que o arroz-vermelho fosse quase levado à extinção e condenado ao esquecimento. 
Se não sumiu, foi porque virou prato de resistência e subsistência em certos grotões do Nordeste, onde se escondeu para fugir da vigilância da Coroa. 
Está lá até hoje, sob o nome de arroz-da-terra, refugiado em três vales contínuos do sertão nordestino: Piancó e Rio do Peixe, na Paraíba, e Apodi, no Rio Grande do Norte. 
E, mesmo ali, também periga desaparecer. Hoje a área produtiva é três vezes menor que cinco décadas atrás. Ainda assim, podemos considerá-la a maior extensão de arroz-vermelho cultivado no mundo. 
E, ao mesmo tempo, uma espécie de fóssil vivo da alimentação humana, pois se trata da primeira variedade domesticada desse cereal. Só depois é que surgiu o branco, como uma mutação desse grão original. 
“O primeiro arroz do mundo era vermelho”, assegura José Almeida Pereira, pesquisador da Embrapa Meio-Norte e coordenador da Fortaleza do Arroz Vermelho, projeto de desenvolvimento local criado pela Fundação Slow Food. 
 É uma lavoura rara, portanto, pois são poucos os lugares onde ainda se dá valor alimentar a esses grãos. O mais comum é encontrá-los em seu estado selvagem, crescendo como invasores nos arrozais comerciais e alimentando o ódio dos arrozeiros. Tem até campanha no Brasil empenhada em varrer o arroz-vermelho do mapa. 
Tamanho é o estigma que a variedade só deixou de ser considerada oficialmente uma erva daninha em 2009, quando o Ministério da Agricultura revisou a classificação oficial. 
O fato é que, historicamente, houve pouco ou nenhum interesse pelo arroz-vermelho com fins comerciais. Se sobreviveu no sertão, foi mais como uma cultura de subsistência, uma das poucas viáveis numa região isolada e miserável, que só conheceu o arroz branco em meados dos anos 1940. Por falta de opção, virou ingrediente essencial da dieta sertaneja, sobretudo na Paraíba. Ali, e em algumas comunidades rurais do Rio Grande do Norte também, o costume é cozinhá-lo com leite e servi-lo com feijão-de-corda – combinação, no mínimo, excêntrica para os paladares destreinados. 
Mais curioso ainda é o hábito local de polir o arroz-vermelho, retirando justo aquilo que lhe dá cor e sabor, que é a película que reveste cada grão, conhecida como pericarpo. Antigamente, o povo se dava ao trabalho de passar horas socando o arroz no pilão, com a intenção de deixá-lo o mais branco possível. 
Hoje, o serviço é feito em pequenos armazéns de beneficiamento, onde uma máquina chamada “descopadeira”, enorme e barulhenta, se encarrega de descascar e polir os grãos por meio de um sistema de correias. As ilhas do Cabo Verde e o arroz africano Há algumas razões que sugerem o relevante papel do arroz africano no estabelecimento de tal cultivo nas Américas. 
Apesar de rústica, a descopadeira tem papel crucial na manutenção de uma cadeia produtiva sustentável. 
Ela gera três subprodutos, e nenhum é desperdiçado. A casca vai para os aviários, onde se torna a serragem que forra o chão dos galpões. 
Os grãos quebrados, conhecidos como “xerém”, viram ração animal, que é também o mesmo destino do pericarpo. Essa película vermelha, quando retirada, transforma-se num pó altamente nutritivo chamado por aqui de “vitamina”. 
“É lá que está o ferro e o zinco. E vai quase tudo para o porco”, diz Francisco Batista, agrônomo de Piancó (PB) especializado no cultivo do arroz-vermelho. Existe também a questão do sabor, que pode ser uma virtude para um chef de cozinha, mas que no sertão chega a ser motivo de rejeição. “O povo tem preconceito. 
Não gosta do vermelho. 
Dizem que a vitamina amarga muito o arroz”, afirma Sueli Lira, moradora da zona rural de Apodi e entusiasta declarada do cereal. O gosto é intenso, de fato, mas nada que um bom garfo não possa se acostumar ou um bom cozinheiro não possa adaptar. Sueli mesmo diz que já aprendeu várias receitas, com vitamina e tudo: “Dá pra fazer escondidinho, risoto, doce de coco...”. Sem a vitamina, o que fica é um arroz menos vermelho, menos nutritivo e menos saboroso. 
E, de certa forma, mais parecido com o branco. 
“A influência do arroz comercial é tão grande que as famílias estão polindo o vermelho porque acham o branco mais bonito”, diz José Almeida, da Embrapa. De fato, a chegada do arroz comercial nas últimas décadas trouxe benefícios que as gerações antigas desconheciam, como a maior produtividade, a agilidade no cozimento e, para certos paladares, o sabor mais suave. Sem contar a incomparável vantagem de se comprar um pacote no supermercado com os grãos já descascados e polidos, prontos para o consumo.

sossegodaflora.blogspot.pt

a falta

A FALTA QUE ME FAZES
DEPOIS DE TUDO O QUE PERDEMOS
TEMOS QUE SER AUDAZES
SE TE JOGO AS "TENAZES"
NESTA COISA DA PAIXÃO
É COMO SARDINHA EM CARVÃO
DE AS COMER NÃO SABEMOS
O QUANTO SOMOS CAPAZES


António Garrochinho

O "ORELHAS" DEVE TER FICADO FULO COM O SEU COLEGA DE PROFISSÃO AO OUVIR ISTO !


O comentário incómodo no Telejornal de na RTP.
De todo o fogo de artificio mediático do dia de ontem sobre o atentado Terrorista em Manchester a única coisa que se aproveita são estes dois minutos.
O jornalismo que não informa, antes sim nos entretém e manipula, passou o dia de hoje tal como em atentados anteriores, horas de televisão em todos os canais a esmiuçar tudo e mais alguma coisa sobre os atentados Terroristas, de todas essas horas de manipulação (des)informativa não sai coisa nenhuma.
Excepção a a estes dois minutos do jornalista Paulo Dentinho no Telejornal do dia 23 Maio 2017

VÍDEO

video

Tuaregues: Guia dos “homens livres”

Resultado de imagem para homens livres

Eles querem ser chamados Tamasheq, o nome da sua língua, porque recusam ser os “Abandonados por Deus”. No Norte do Mali, tentaram proclamar uma pátria. Quem são estes guerreiros de véu e turbante azul? (Ler mais | Read more…)

Awazad

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Situada nos vastos desertos do Sara e do Sahel, Azawad ou Azaouad é uma região na qual os Tuaregues incluem o Norte do Mali (mas também o Norte do Níger e o Sul da Argélia). Na quinta-feira, 5 de Abril [de 2012], o Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (MNLA) declarou um cessar-fogo após a rápida conquista ao Exército maliano das cidades de Timbuctu, Kidal e Gao – “território suficiente para proclamar um Estado independente”.
Uma área que é supostamente um centro de tráfico de cocaína, Azawad tem sido também cenário de várias rebeliões: em 1962-1964; em 1990-1995 e em 2007-2009. A revolta deste ano derrotou facilmente um exército, com poucas munições e muitos generais corruptos, incapaz de enfrentar milhares de antigos soldados e mercenários tuaregues que regressaram ao Mali bem treinados, financiados e armados, depois de terem servido Muammar Khadafi na Líbia, até à queda e morte do coronel em 2011.
O êxito da luta separatista do “laico e democrático” MNLA dependerá da sua vontade e capacidade de derrotar os radicais salafistas do Ansar Dine e da al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), que querem islamizar todo o país.

Berbere

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
O termo “berbere” advirá do latim barbarus (bárbaro), mas os berberes tuaregues – cerca de um milhão – preferem chamar-se Imazighen (homens livres). Originalmente brancos do Mediterrâneo, foram-se misturando com as populações do Sara e do Sahel e, hoje, podem ser louros ou ruivos (nas montanhas Atlas de Marrocos) ou de pele negra (na região subsariana).
Não é possível determinar como os Tuaregues chegaram ao Norte de África, mas confirma-se que são um grupo berbere com a sua própria língua (Tamashek) e alfabeto (Tifinagh). Quem primeiro registou a existência destes nómadas terá sido Heródoto, no século V a.C., na Líbia.
Guerreiros de espada (takoba), lança (allagh) e escudo (aghar), os Tuaregues controlaram durante séculos as grandes rotas comerciais que atravessavam o Sara. Só em 1917 é que a Legião Estrangeira (Francesa) – depois de anos de combates e massacres – conseguiu “pacificar” os Tuaregues. Findo o período colonial, nos anos 1960, o território dos nómadas foi artificialmente dividido em países independentes: Argélia, Burkina Faso, Líbia, Mali e Níger.

Charles de Foucauld

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Descendente de cruzados e oriundo de uma família aristocrata e próspera, Charles Eugène de Foucauld nasceu em Estrasburgo em 1858. Aos 26 anos, depois de “uma vida de luxúria e aventuras amorosas” como geógrafo e oficial de cavalaria do Exército francês, deixou de ser agnóstico e tornou-se padre eremita.
Em 1905, foi viver entre os Tuaregues, na região argelina de Ahaggar ou Hoggar. Recentemente beatificado pelo Vaticano [em 2005] , foi durante muito tempo olhado como “espião disfarçado de monge”, mas todos lhe reconhecem, agora, a divulgação, local e internacional, da língua e cultura tuaregues.
A 1 de Dezembro de 1916, salteadores atacaram o seu refúgio e um deles matou-o a tiro. O “irmão universal” morreu aos 58 anos, mas tem agora 15 mil discípulos, entre eles a Fraternidade das Irmãzinhas de Jesus, que chegou em 1939 a Portugal, onde as suas religiosas, que não são missionárias, vivem e trabalham com os mais pobres, em bairros degradados, fábricas ou prisões.

Dassine

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Sultana do Deserto, Rainha do Amor ou Mensageira da Paz, é assim que os tuaregues reverenciam a sua grande poeta Dassine Oult Yemma. Dois versos que eles repetem: “A água murmura ‘Eu amo-te’ quando toca os nossos lábios com o mais suave dos beijos”; “Que interessa esses véus sob os quais te escondes – eu afasto-os tal como o sol desvia as nuvens”.
A poesia ocupa um espaço fundamental na cultura tuaregue, e um tema recorrente é os dos corações destroçados. Na língua Tamasheq, a palavra “calor” (tuksé) deriva de “sofrimento”.
Veja-se este poema, composto em 1890: En ce jour que j’ai quitté Tella/ elle tenait une réunion galante pour les personnes présentes ; je suis parti/ l’âme brûlée de douleur, le cœur embrasé/ semblable à un tison enflammé/ sur lequel souffle le vent et qui brûle de tous côtés. / Je prie Dieu de me faire voire celle que j’aime/ pour que je ne meure pas ici de la douleur de son absence.

Feudal

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Os Tuaregues mantêm um sistema hierárquico feudal de clãs (tawshet), que consiste num pequeno número de famílias nobres e tribos de marabus (“homens santos, com poderes de abençoar, proteger e curar, mesmo depois da morte”); uma maioria de vassalos e três “classes inferiores” de antigos escravos.
Os Iklan apascentam o gado, cozinham (a alimentação básica dos Tuaregues é queijo e manteiga de cabra com tâmaras – a carne é limitada a ocasiões festivas) e fazem outras tarefas domésticas; os Inaden são sobretudo artesãos e ferreiros; os Harratin, de pele negra, trabalham nos campos onde se cultiva milho, centeio e trigo.

Islão

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Muçulmanos mas não árabes, os Tuaregues preservam rituais animistas, rezando a divindades do deserto, como pedras, água, fogo e montanhas.
Na prática islâmica de lavar as mãos, a água, cada vez mais escassa, é substituída pela areia. No Norte do Mali, onde os Tuaregues tentam proclamar um Estado independente, predomina a escola teológica maliquita do Sufismo, corrente mística e, tradicionalmente, mais tolerante da religião “revelada” a Maomé.

Kel Tamasheq

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Ainda que divididos em várias tribos e clãs, os Tuaregues fazem questão de afirmar a sua identidade única chamando-se a si próprios Kel Tamasheq, ou “Os que falam Tamasheq”. Há uma campanha em curso para que sejam designados como Tamasheq e não Tuaregues – termo cuja origem tem suscitado várias interpretações: uns alegam que provém do árabe Tawariq, com o significado de “Abandonados por Deus”; outros ligam-no a Targa, em Fezzan, actual Líbia.
Os Tuaregues/Tamasheq têm o seu próprio alfabeto, Tifinagh, composto por símbolos geométricos, um total de 24, na forma de linhas, pontos, círculos e formas. Este alfabeto escreve-se da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, de cima para baixo ou de baixo para cima – por isso é de difícil leitura.
A origem do Tifinagh é indefinida. Alguns sugerem que não há nada de implicitamente Amazigh (língua berbere), mas os Tuaregues insistem em que é indígena. Para eles, Tifinagh é um termo composto por “Tifi”, que significa “descoberta”, e pelo adjectivo possessivo “nnagh”, com o significado de “nosso”.
Assim sendo, Tifinagh quererá dizer “a nossa descoberta”. Outras teorias referem que o alfabeto provém do Egipto ou do Sul da Arábia; do Grego ou do Latim; dos Cartagineses ou dos Fenícios.

Mulheres

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
As mulheres tuaregues gozam de grande respeito e liberdade, participam nas decisões da família e da tribo, e podem manter relações com homens antes do casamento, rompendo a tradição ortodoxa islâmica. Um dos provérbios deste povo diz: “As mulheres e os homens são, uns e outros, para os olhos e para o coração; não apenas para a cama”.
Sendo uma sociedade matrilínia (a liderança, descendência e a herança são definidas pela linha da mãe), mas não matriarcal (o poder é detido pelos homens).
São as mães que ensinam às filhas o alfabeto Tifinagh e arte de tocar o violino imzad – arte exclusiva das mulheres. Diz-se que, nos combates, os homens faziam tudo para demonstrar coragem, com medo que as noivas os privassem dos sons do imzad. O desejo de ouvir este instrumento incutia-lhes valentia e incitava-os a derrotar os inimigos.

Nómadas

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Se inicialmente eram nómadas errantes do deserto, muitos tuaregues foram obrigados, para sobreviver, a render-se ao sedentarismo. Em todo o caso, muitos ainda vagueiam errantes em tendas móveis, um apertado círculo de 5 ou 6. Uma tenda é composta de 30 a 40 peles curtidas, tingidas de vermelho e cosidas umas às outras. As peles são suportadas por uma estrutura de estacas de madeira, fixadas ao solo. Cada tribo é governada por um chefe e uma assembleia de homens adultos. As tribos agrupam-se em três confederações, cada uma com um xeque e um conselho de responsáveis de clãs. As confederações, por seu turno, têm um líder máximo (amenokal) e um conselho de nobres. Entre as tribos mais importantes estão as de Kel Rhela, Dag Rhali, Issaqqamaren e Ait Laoin.

Oy ik

Membros de delegações do Mali e dos Tuaregues cumprimentam-se após a assinatura de um acordo de cessar-fogo, em Ouagadougou, capital do Burkina Faso, em 18 de Junho 18 de 2013. @DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
Membros de delegações do Mali e dos Tuaregues cumprimentam-se após a assinatura de um acordo de cessar-fogo, em Ouagadougou, capital do Burkina Faso, em 18 de Junho de 2013.
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Os Tuaregues têm uma forma muito particular de cumprimentar os outros. No dialecto regional Air, por exemplo, começam por perguntar Oy ik? (Como está?) seguindo com Mani egiwan? (Como está a sua família?) e depois por Mani echeghel? (Como vai o seu trabalho?). A resposta mais educada a todas estas interpelações será Alkher ghas (Está tudo de boa saúde).

Sedução

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Os tuaregues têm um ritual a que chamam “código de sedução”. No silêncio do deserto, de manhã até ao meio-dia, antes do pôr-do-sol, ou à noite, sob um céu estrelado, juntam-se para tocar o violino imzad e cantar poemas.
Depois de recolherem o leite dos rebanhos e antes de irem para a cama, os homens pedem às organizadoras destas reuniões sociais ou encontros românticos (djalsa) se os voltam a convidar. Para saberem, discretamente, a resposta das mulheres que querem conquistar, usam linguagem gestual. Desenhar um círculo na palma da mão de uma jovem e depois apontar para lá com o dedo indicador é uma declaração de amor.
Se a jovem pega na mão direita do pretendente e com o seu indicador traça uma linha diagonal para a frente e depois para trás, isto significa: “Deixa o resto das pessoas e vem para junto de mim.”. Se ela traça a linha diagonal numa só direcção, a mensagem é: “Vai-te embora, e não voltes.” Se um homem notar que a rapariga é disputada por um rival, tem de recuar.
Se dois pretendentes gostam da mesma mulher, o mais novo deve ceder o lugar ao mais velho – excepto se a rapariga fizer a escolha contrária.

Tin Hinan

@DR (Direitos Reservados | All Reserved)
© Direitos Reservados | All Reserved
Venerada pelos tuaregues como a sua primeira Tamenokalt (rainha), Tin Hinan ainda hoje é designada, por eles, como “Mãe de todos nós”. Dizem lendas que, viajando com a sua dama de companhia, Takamat, deixou Tafilalet, nas montanhas Atlas de Marrocos, para se instalar no território desértico de Hoggar ou Ahaggar, no Sul da Argélia.
Aqui, não hesitando em recorrer às armas, Tin Hinan uniu vários clãs dispersos e fez deles uma “nação”. O seu túmulo terá sido encontrado, em 1920, por arqueólogos, em Abalessa, na Argélia.

Véu

@DR (Direitos Reservados | All Rights Reserved)
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Entre os Tuaregues são os homens, e não as mulheres, que ocultam o rosto. Há três tipos de véu-turbante, com um comprimento que oscila entre os 3 e os 5 metros, deixa à vista apenas os olhos, cobrindo a cabeça, a testa, quase todo o nariz e a boca – “uma zona de poluição e de desrespeito se exposta perante outros”.
Assim, temos o tagelmoust ou alechcho (azul índigo), hoje quase exclusivo das classes mais altas; o khent, que pode ser usado em todas as ocasiões e no dia-a-dia; e o agora mais comum echchach (branco, negro ou azul escuro, de custo e qualidade inferior).
Não há dados concretos sobre quando é que os tuaregues começaram a usar o tagelmoust, porque até 1920, segundo várias fontes, era mais visível o tekerheit, véu-turbante de lã branca e riscas de cor, originário da Líbia.
Só os homens de classe elevada podem deixar escorregar o véu-turbante, e apenas os que fizeram a peregrinação a Meca o podem remover completamente. De um modo geral, os homens jamais o abandonam desde que o começam a usar aos 18 anos, início da idade adulta, nem mesmo quando dormem.
A tinta que caracteriza a maioria dos tagelmoust não é diluída em água, um bem cada vez mais escasso, mas aplicada com pedras em tecido de algodão. A pressão emite partículas ligeiramente metálicas que depois se transferem do véu para o rosto – daí os tuaregues terem ganhado o cognome de “Homens Azuis”.
Símbolo de masculinidade, protecção contra as tempestades de areia e os “maus espíritos” – mas também, dizem, forma de impedir o inimigo de ler o pensamento –, o véu-turbante nunca é lavado e é usado até que se rasgue.
As mulheres, por seu turno, depois de se casarem, apenas tapam o cabelo com um lenço (ekahei). Envergam saias rodadas e blusas bordadas de várias cores, colares e brincos de ouro e prata, e ostensiva maquilhagem que realça sensualidade dos olhos e da boca.
[Fontes‘The Tuareg of the Sahar’a’ (Bradshaw Foundation); ‘Sahara Man: Travelling With the Tuareg’, de Jeremy Keenan; ‘Le Voile chez les Touare’g  (‘Revue de l’Occident musulman et de la Méditerranée’); ‘La Solitude du Poète Touareg’ (Dominique Casajuz, in: ‘Sentiments doux-amers dans les musiques du monde’); Association Sauver l’Imzad; Toumast Press]
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
© Direitos Reservados | All Rights Reserved
Este artigo, agora revisto, foi publicado originalmente no jornal PÚBLICO em 7 de Abril de 2012 | This article, now revised, was originally published in the Portuguese newspaper PÚBLICO, on April 7, 2012

margaridasantoslopes.com